Evandro Motta, Gabriel Campos e Hugo Marques são estudantes de Jornalismo pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/JF).
Qualidade Textual é um blog que visa os diversos assuntos que rondam o ser humano. Dos sentimentos aos problemas sociais, buscamos abordar de forma clara alguns conceitos interessantes do mundo atual.
Buscamos uma, mesmo que limitada, qualidade textual.
Isaac Newton já dizia: “Toda ação gera uma reação...”. A tragédia ambiental que acompanhamos desde o último dia 17 de Novembro não pode ser tida apenas como uma ação involuntária da natureza.Chuvas torrenciais, 1,5 milhões de pessoas atingidas e mais de 120 mortos (até o momento), expressam a “resposta” da natureza à irresponsabilidade do homem quanto ao meio ambiente.
O estado de Santa Catarina, um dos mais ricos e desenvolvidos do país, vive a pior calamidade ambiental de toda a sua história. As perdas são incalculáveis. Como explicar uma fatalidade ambiental de tamanho porte? Dizem os meteorologistasque a alta pressão proveniente do Oceano Atlântico, aliada à chegada de ventos úmidos e constantes que se resfriaram ao chocarem-se com as montanhas, é a causa destes dilúvios que abalaram a população catarinense. Mas o que eles não respondem, é a razão deste “fenômeno”.
Na verdade não sabemos ao certo o que levou a natureza a provocar tal catástrofe, mas certamente o impacto ambiental causado pelo homem é um dos culpados. Várias medidas estão sendo tomadas visando à reestruturação do estado de Santa Catarina.Vemos também que os cidadãos brasileiros se sensibilizaram no amparo aos desabrigados. Uma vontade de ajudar na reconstrução moral e física dos afetados pelas chuvas. Atitudes dignas de aplausos e satisfação. Mas a tragédia em Santa Catarina nos leva a refletir sobre o impacto das ações do homem sobre a natureza. Não seria isso um aviso para que o homem reflita, mude suas ações e comece a viver em “harmonia” com o lugar em que habita? Há quem diga que isto é um “castigo” de Deus. Há quem diga que o homem nada pode fazer perante a força da natureza. Porém, sabemos que esta “reação” foi suscitada por uma determinada ação. Uma??? Milhões talvez soasse melhor...
A realidade é que de nada adianta apontar o erro. Somos o próprio erro. Um erro que, até o momento, não tem conserto!
Texto referente ao post de Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008
Muitos criticaram o porquê do GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais) não ter matado Lindemberg quando teve a chance. Por outro lado, muitos defenderam que, ao matar Lindemberg, o GATE seria extremamente criticado pela sociedade e pagaria por esse “erro” judicialmente. O fato é, que a sociedade brasileira se contrasta em conceitos muito infantis para o século XXI. O povo tem pena, compaixão e condolência excessivas para com o criminoso. Lindemberg ERA um cidadão trabalhador, honesto e esforçado ATÉ o momento em que fez da ex-namorada, Eloá Cristina Pimentel e de sua amiga, Nayara Vieira, reféns e vítimas de sua paixão doentia. A partir do momento em que Lindemberg pôs em risco a vida de duas garotas inocentes, a sociedade não poderia vê-lo como um homem trabalhador e honesto. Lindemberg não se tratava mais daquele jovem apaixonado por futebol e pelo time de coração. Aquele Lindemberg que todos conheciam não existia mais. Lindemberg era agora um criminoso, uma ameaça à segurança da população, porém, a sociedade brasileira não enxerga os fatos desta maneira. O povo brasileiro é marcado pela “alta dose” de compaixão para com os facinorosos que vivem nesse país. Seria isto apenas um gesto de benevolência?? A mim, parece ingenuidade...
A sociedade do Brasil terá que conhecer o emprego da força letal. Temos que deixar de tratar os bandidos como “mocinhos”. Devemos ter em mente que nossa estrutura sociopolítica não é bem organizada e, somado a isso, temos um sistema econômico que não é dos mais favoráveis. Não podemos enxergar a morte de um criminoso como um aumento na complexidade da situação em um seqüestro com reféns. É preciso compreender e aceitar que, em certas ocasiões, é necessário sacrificar a vida de um criminoso para se salvar a vida de um refém inocente. “É preciso que as autoridades com poder de decisão e que a sociedade se preparem para um desfecho onde se utilize inclusive a força letal no estrito cumprimento do dever legal e na legítima defesa de um terceiro inocente.”, defende o Capitão Dalle Lucca, mais experiente comandante de operações com seqüestro do Brasil.
Embora a preservação de todas as vidas envolvidas em um seqüestro seja o desejo de todos, é necessário que compreendamos um simples fator: se é necessário que alguém saia ferido do local, esse alguém não deve ser um policial e, tampouco uma refém. Sejamos nobres e conscientes ao falarmos de assassinato. Temos de reconhecer e aceitar a utilização da força letal como recurso para a salvação de vidas inocentes.
Quem sabe assim, teríamos um desfecho diferente do visto no último dia 17...
Texto referente ao post de Terça-feira, 21 de Outubro de 2008
Erros, erros e mais erros. É assim a análise que podemos fazer da ação policial no seqüestro de Santo André. Abordaremos aqui alguns equívocos do GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais) na administração do crime que chocou o Brasil.
O ponto crucial, e mais criticado por todos os especialistas em ações criminais com reféns, foi à volta de Nayara ao cativeiro. Nunca na história da humanidade houve algo semelhante a isso. A maior irresponsabilidade da polícia brasileira em toda a história. Segundo o comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar de São Paulo, coronel Eduardo José Félix, a volta da adolescente Nayara fez parte da estratégia de negociação e a garota poderia sair do local no momento que quisesse. Porém, José Félix disse, em uma coletiva, que Nayara não deveria ter entrado no apartamento novamente. Segundo ele, a adolescente deveria ir apenas até o corredor que dá acesso ao apartamento. No entanto, uma pergunta fica no ar: Por que não havia nenhum policial acompanhando a garota com uma proteção adequada (no caso, um escudo)?? Caso Lindemberg tentasse algo contra Nayara, o que os policiais poderiam fazer, já que a adolescente estava sozinha perante o apartamento em que o seqüestro se instalara?? Uma falha estrondosa assim não pode ser tolerada! É inexplicável porque a polícia não tomou as devidas precauções para com a vida de uma refém. Nem mesmo a autorização dos pais seria suficiente, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, para um retorno da adolescente ao cativeiro.
A demora nas negociações e a demora na invasão do apartamento também são erros incompreensíveis da polícia. É provado que quanto mais uma negociação se estende, mais o seqüestrador tem tendência a uma alteração maior das emoções. Isso, aliado a intervenção da mídia no caso, apenas prejudicou no desfecho do caso. O treinador da SWAT nos EUA, Marcos do Val, fez duras críticas a essa demora na negociação. Segundo ele, a SWAT estabelece um prazo máximo de 24 horas para a rendição do seqüestrador. Caso isso não aconteça, eles invadem o local do crime e resgatam os reféns. Mesmo assim, segundo Marcos, o seqüestro mais longo que a SWAT de Dallas trabalhou, durou cerca de 9 horas. Eficiência é outra coisa...
Se o objetivo da polícia era cansar o seqüestrador, podemos ver que ele não foi alcançado. E mesmo que essa hipótese tivesse fundamento, por que não matar o seqüestrador? O Brasil tem que parar de tratar o bandido como celebridade, como herói. Não importa se o seqüestrador era um homem de apenas 22 anos, trabalhador e com uma desilusão amorosa. O que se torna realmente relevante, é o fato de que um cidadão está colocando em risco a vida de outras pessoas. Não importa a idade, a classe ou a raça. Há vidas inocentes correndo risco de serem extintas. A prioridade deveria ser a vida das reféns e não do bandido.
O coronel José Félix, quando perguntado sobre o porquê de não ter matado o seqüestrador, respondeu que da mesma forma que muitos estavam culpando-o por ter falhado ao tentar salvar as reféns de forma ilesa, iriam criticá-lo por matar um jovem de 22 anos que sofria por amor. Ora caro coronel, é melhor ser julgado pela morte de um criminoso, do que ser criticado pela morte de uma refém inocente. Nesse caso, essa “desculpa” não tem fundamento. Além disso, José Félix estava há cerca de 2 meses no comando do GATE, o que (convenhamos), não é uma experiente capitania. Ai entra outro erro na operação policial: por que não colocar o melhor e mais experiente comandante de operações com seqüestro do Brasil (Capitão Dalle Lucca) no comando do resgate??Segundo uma matéria da VEJA On-line, “Diógenes Viegas Dalle Lucca é o mais experiente e bem formado negociador da polícia brasileira. Especialista em desativação de explosivos, fez cursos de negociação, invasão e outras técnicas em Israel e nos Estados Unidos. É formado em direito e em educação física e é pós-graduado em políticas estratégicas pela Universidade de São Paulo”. O próprio Marcos Do Val, treinador da SWAT, comentou que, particularmente, Lucca é o maior negociador do mundo e que não entendia como ele não fazia parte das negociações. Reconhecido em vários países da Europa e da América, Lucca foi o principal responsável pela rendição do seqüestrador Fernando Dutra Pinto, que invadiu a casa do apresentador Sílvio Santos em 2002. São incoerências incapazes de serem esclarecidas...
A invasão do apartamento onde Lindemberg mantinha Eloá e Nayara reféns é talvez a grande questão que envolve esse caso. Os policiais dizem ter ouvido um disparo vindo do interior do cativeiro, porém, além deles, ninguém ouviu nenhum barulho estranho. Aceitemos a versão dos policiais. No entanto, perguntamos: Por que a invasão se deu de forma tão lenta? Por que ela não foi feita de forma simultânea? Qual o motivo de tamanha desorganização para invadir o cativeiro? São perguntas difíceis de serem respondidas? Creio que não...
O motivo de todos esses erros referentes a invasão, são respondidos com apenas uma palavra: despreparo. No Brasil, sabemos que o investimento no setor de segurança pública não é notável. Com isso, fica difícil conseguir realizar treinamentos suficientemente bons para que não haja catástrofes como essa. O policial paga a arma do próprio bolso. Paga alguns treinamentos. Paga para exercer sua profissão! Isso é incompreensível. Esse total despreparo pode ser exemplificado com a cena que vemos no resgate de Eloá. Um dos policiais, pega Eloá nos braços, com risco de agravar alguma possível lesão cerebral ou cervical. Caso um dos tiros não tivesse sido fatal, o policial poderia ser um dos responsáveis por Eloá ficar paraplégica ou tetraplégica. Não adiantava ter pressa de forma extrema. Deveriam deixar que a equipe médica chegasse até a vítima (coisa que aconteceu com muita dificuldade e demora) para avaliá-la e colocá-la em um equipamento próprio para a remoção da mesma. Nem equipe médica havia fora do apartamento. Existia apenas um médico tentando desesperadamente passar entre os policiais que espancavam e tentavam conter Lindemberg. Encontramos aí outro erro: a ausência de uma técnica eficiente de imobilização. Uma vergonha para a polícia brasileira...
Essa crítica aos erros policiais no seqüestro de Santo André, vai além da condenação da ação do GATE na ocasião. O que devemos perceber e questionar é a política que envolve a segurança pública e a polícia em geral. A culpa real de toda essa tragédia está nas costas de quem gere a segurança da nação. Deixemos de lado a ignorância! Notemos o verdadeiro responsável por essa tragédia: o próprio sistema brasileiro de segurança.
Por fim, gostaríamos de deixar os nossos mais sinceros sentimentos quanto ao falecimento de Eloá Cristina da Silva. Pelo que parece, Eloá era uma menina de bem que não merecia um fim trágico como esse. Esperamos que o depoimento de Nayara possa esclarecer todos os fatos dessa que, infelizmente, será uma inesquecível tragédia.